Em 2015, quando chegamos em Atlanta, Heloísa tinha 22 meses e falava pouco, talvez um pouco menos do que algumas crianças da mesma idade, tinha passado pela frenectomia e eu sinceramente nunc ame preocupei.
Começou escola em inglês logo com 2 anos completos e seguiu o baile sem grandes dificuldades. A língua não atrapalhou a adaptação na escola, definitivamente. Mas nessa época ela falava bem pouco português tb.
Meio ano depois do início na escola, já em 2016, vieram as famigeradas férias de verão (Aqui começam em fins de maio e vão até início de setembro). Foi o tempo que fomos para o Brasil, viajamos para a Flórida com os dindos e o primo Vicente e depois seguimos por aqui sem contato com muitas pessoas que falassem em inglês, já que era férias...
Nesse período eu achei que ela perderia o pouco do inglês que aprendeu mas para minha surpresa o vocabulário aumentou bastante, resultado dos desnhos animados da TV.
Começou o ano letivo na nova escola sem nenhum problema com a fala e agora com o português tb já mais avançado, embora eu ache que ela fale menos do que crianças da mesma idade criadas no Brasil.
De setembro até dezembro o inglês virou o "carro chefe" e a visita das vovós (em novembro), para o seu aniversário de 3 anos, me deixou preocupada pq Helô insistia em falar inglês em casa, mesmo com todos nós falando em português. Sim, a regra aqui em casa é da porta pra dentro só português! Primeiro mamãe aqui ainda caminha com passos curtos na língua mas principalmente pq queremos que ela fale português (não só entenda como acontece muito com pequenos brasileiros que vivem fora).
Eis que em dezembro fizemos uma viagem de férias para visitar o irmão do Filipe na Alemanha. O contato 100% em português com tio Rafa e nossos amigos Marcus, Marta, Celo e Cela fez desenvolver muuuuito o português.
Eu costumo chamar essas férias do divisor de águas no biliguismo da Heloísa. De lá pra cá ela "chaveou"que em casa se fala português e na escola inglês! Isso está muito claro na cabecinha dela, a ponto de inclusive ela traduzir palavras para mim.
Já estamos perto do fim das aulas e início do novo período de férias (summer 2017) e eu espero que essa situação se mantenha. Agora será uma fase de incrmentar o português pq já entendi que o inglês ela vai dominar com facilidade indo para a escola.
Ontem aconteceu uma situação engraçada (com 3 anos e 4 meses): Heloísa e eu estávamos no parque com um casal de amigos brasileiros e o amiguinho Leo. A função era com os esquilos e surgiu a dúvida: "Como é mesmo que se fala esquilo em inglês?" Nenhum de nós sabia e eu para testar perguntei para Helô, Kkkkk. (Sinceramente, eu não tinha esperança que ela entendesse uma pergunta dessas até pq ainda é confuso para ela dar nome às línguas, ela fala as duas mas não sabe exatamente qual é o nome delas.) Para minha surpresa, imediatamente ela respondeu: SQUIRREL!
Pois então... Penso que tivemos sorte com essa assimilação das duas línguas justamente num momento crítico, com a mudança acontecendo quando ela nem ao menos falava português. O estímulo é muito importante, para não perder a língua mãe mas eu acho que cada criança pode reagir de uma forma diferente. Veremos quando vier um maninho...
Ah, e sim, eu tb acho que o contato com uma segunda ou mais línguas atrasa um pouco a fala de ambas. Não há comprovação científica mas eu conheço muitos casos e tb vejo que Helô continua falando menos do que outras crianças quem moram em países onde se fala a língua mãe.
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